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A linguagem do poder da troika e do governo: consenso alargado = suicídio colectivo

Sexta-feira, 19.04.13

 

A linguagem do poder tem várias estratégias para conseguir impor a vontade de muito poucos sobre muitos outros. Vem nos livros. Uma delas é manifestar publicamente por palavras a vontade de ouvir o adversário ou alguém que é percebido pela opinião pública como adversário (pois, como sabemos, todos os partidos fazem parte do mesmo sistema).

Outra estratégia que o governo utiliza é a chantagem da troika, não há medidas (cortes nos mesmos) não há dinheiro, para justificar a necessidade de um consenso alargado. Consenso para eles é consentimento, claro. Para os cidadãos é o suicídio colectivo.

Outra ainda, o marketing político e a propaganda a substitur a verdade, nas televisões sobretudo, mas também noutros meios de comunicação.

 

 

Já identificámos aqui 3 estratégias da linguagem do poder:

 

- utilizar termos que parecem significar abertura, flexibilidade, cultura democrática, mas que pretendem exactamente envolver o outro, implicá-lo nas suas decisões, comprometê-lo em termos de responsabilidade assumida. Aqui surge o termo consenso alargado. Consenso no dicionário dos sinónimos = acordo; anuência; aprovação; assentimento; beneplácito; consentimento; parecer; praz-me; unanimidade. Está tudo dito. Se o objectivo fosse a tal abertura e flexibilidade relativamente à escolha das medidas a aplicar, revelando uma cultura democrática, o termo adequado seria negociação, por exemplo; 

 

- colocar as suas decisões numa posição de força e de chantagem: não há medidas (cortes nos mesmos) não há dinheiro, tentando manter os cidadãos apreensivos, com receio do futuro, instilando o medo para conseguir aceitação e obediência acrítica; 

 

o marketing político e a propaganda martelada nas televisões, com a aparência de debates entre posições ligeiramente diversas para confundir os espectadores e levá-los a aceitar as suas opiniões e decisões como as correctas e as inevitáveis. Em vez de uma informação fiável, temos a propaganda a substituir a verdade. Embora não seja apenas a televisão o meio de comunicação utilizado (a internet já está atafulhada de propaganda governamental), a televisão ainda é o meio privilegiado da propaganda, pois os cidadãos do país ainda a utilizam como a principal forma de se manter informados (basta ver uma das antenas abertas).

 

Exemplo: analisem a diferença de discurso de Manuela Ferreira Leite, num espaço muito curto de tempo, isto é, de dia 11 para dia 18, nestes 2 vídeos do programa Política Mesmo da tvi24:

- no primeiro, a entrevista de dia 11, Manuela Ferreira Leite faz uma radiografia bastante fiel da nossa situação actual, refere-se a um harakiri colectivo (o tal suicídio colectivo), e procura informar sobre a nossa situação concreta, mostrando os malefícios da política de austeridade como nos foi imposta pela troika e pelo governo nestes dois anos, na economia e nas vidas dos cidadãos, mas também porque, apesar dos sacrifícios dos cidadãos, não se está a reduzir nem a dívida nem o défice;

- no segundo, o primeiro programa já como comentadora-política-económica, muda de registo para um discurso em termos completamente diversos, quase nos apresenta de um futuro risonho com a simples entrada destes 2 ministros que vieram substituir o ministro-bode expiatório. Dá para acreditar? Manuela Ferreira Leite, a referência da política de verdade, subitamente convertida à fé governamental, embora nos diga que a sua opinião é subjectiva pois é amiga de Marques Guedes e sabe que é dialogante (?), e ouviu dizer que o ministro Maduro é um académico brilhante  muito considerado internacionalmente e que vai sensibilizar os tecnocratas europeus (!?) Reparem também no jornalista Paulo Magalhães, primeiro perplexo, depois inquieto, finalmente aflito. Será que Manuela Ferreira Leite se irá converter num segundo Prof. Marcelo? Espero que não, pois uma política de verdade é raríssima no país.

 

 

 

Para começarmos a duvidar se não terá ficado tudo ao contrário, aparece um Francisco Louçã subitamente calmo e sensato, embora muito entusiasmado, a falar do livro de bd, Isto é um assalto (Saída de Emergência). Verificamos que é muito melhor como autor-professor do que como dirigente político. Muito interessante e esclarecedora a descrição da nossa história financeira. Ficámos a perceber as relações do poder político-poder financeiro, quem ganha com a nossa desgraça (com os juros da nossa dívida). Vale a pena ver o vídeo relativo a ontem, dia 18, mas ainda não o encontrei.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:05

A criança faz uma birra, o adolescente bate com a porta, o adulto negoceia de forma responsável

Quarta-feira, 10.04.13

 

Os egos dos políticos interferem no seu comportamento e nas suas decisões, situando-se ao nível da maturidade do adolescente: querem agradar aos poderosos e detentores do poder financeiro, ao grupo de referência, ao grupo dos apoiantes, etc, etc. Vivem na azáfama de construir uma carreira política e para isso dependem de favores e de expectativas de um futuro numa qualquer empresa pública ou PPP ou câmara municipal ou fundação, etc. etc.

É por isso que são os actores ideiais do teatro político pois limitam-se a seguir um guião escrito previamente pelos interesses dos grupos financeiros e económicos, encenado diariamente nas televisões. Um adulto autónomo e responsável questionaria o guião, tentaria adaptá-lo às circunstncias actuais e ao benefício dos cidadãos como um todo, consideraria o grande plano.

 

Hipoteticamente, um político com a maturidade de um adulto portanto não dependente da aprovação social, seria capaz, além de se adaptar às circunstâncias da realidade, de se antecipar às situações evitando assim colocar o país em risco. 

 

Vejam 2 exemplos de incapacidade de negociar e de chegar a compromissos de forma responsável, tal como um adulto faria se estivesse no seu lugar:

- o discurso do PM em que responsabiliza o Tribunal Constitucional por um buraco orçamental (na verdade, aquele OE 2013 é apenas uma insistência na mesma tecla);

- a entrevista na Sic e o discurso do líder da oposição, em que iniciou uma birra infantil ao insistir em eleições antecipadas, quando não há condições para tal (na verdade, os contribuintes do público e do privado, os que ficaram sem emprego, os que tiveram de emigrar e os pensionistas não lhe perdoariam tal desvario, pois são eles que estão a pagar o preço das irresponsabilidades de governos socialistas e social-democratas).

 

 

Outro exemplo do ego próprio dos políticos é a reacção de amor-ódio que Margareth Thatcher despertou nos britânicos, dividindo o país ao meio na altura da sua saída de cena.

Como este texto de opinião refere, não é de bom tom (nem de humanidade mais elementar) tecer considerações negativas quando alguém parte mas, tal como os autores referem de forma muito perspicaz, a própria gostaria de saber que despertou emoções fortes nos seus conterrêneos, pois não há nada pior para um ego de um político do que ser ignorado ou esquecido.

E uma coisa é certa, como eles bem destacam, Margaret Thatcher mudou o Reino Unido muito mais do que se julga, em termos financeiros, económicos e sociais, desmantelando o sector público e mudando o centro da economia para a City of London, e influenciou muitas outras economias e equilíbrios entre economias.

E mais ainda, essa profunda transformação revelou-se irreversível, levando os autores a apelidá-la de rainha-mãe da austeridade. Destaco aqui alguns excertos:

 

(...)

Mrs. Thatcher transformed the character of British politics by heading a democratically elected Parliamentary government that permitted financial planners to carve up the public domain with popular consent. Like her actor contemporary Ronald Reagan, she narrated an appealing cover story that promised to help the economy recover. The reality, of course, was to raise Britain’s cost of living and doing business. But this zero-sum game turned the economy’s loss into a vast windfall for the Conservative Party’s constituency in Britain’s banking sector.

(...)

Attacking rent-seeking in government, she opened the floodgates to economic rent-seeking in its classical sense: land rent in real estate (with debt-inflated “capital” gains) to make British property so high-priced that employees who work in London must now live outside it, taking highly expensive privatized railroads to work. Privatization also created vast new opportunities for monopoly rent for privatized public utilities, along with predatory financial takings by increasingly predatory banking.

(...)

By time Mrs. Thatcher became Prime Minister in 1979, Britain had made over a century of enormous investment in public infrastructure. Financial managers eyed this commanding height as a set of potential monopolies to be turned into cash cows to enrich high finance. Mrs. Thatcher became the cheerleader for what became the greatest giveaway of the century as the City of London’s gain became the industrial economy’s loss. Britain’s lords of finance became the equivalent of America’s great railroad land barons of the 19th century, the ruling elite to preside over today’s descent into neoliberal austerity.

Her tenure as Prime Minister seemed to reprise Peter Seller’s role in Being There. She made good television precisely because her philosophy was stitched together in a sequence of sound bites that flattened complex social and economic relationships into a banal personal psychodrama. Mrs. Thatcher’s ability to sweep the broad financial and economic polarization and financial “free lunch” behind a curtain enabled her to distract attention from the consequences of what Harold Macmillan characterized as “selling off the family silver.” It was as if the economy was a middle-class grocer’s family trying to balance its checkbook along the lines of what its banker insisted were necessary in the face of wages being squeezed by rising prices for basic needs.

The ground for Mrs. Thatcher’s rule was prepared by the fact that England’s economy was as much a mess as the rest of the world by the time she took office. The 1979 Winter of Discontent saw a perfect storm unfold. Unable to restrain Arthur Scargill and other and other labor grandstanders, the British Labour Party felt little need to wait for Britain’s share of North Sea oil to come on stream. That windfall would subsidize a decade of dismantling what was left of British industry. Oil states do not need to be efficient. They do not need industry, or even employment.

(...)

The new twist was that the class war aimed at labor in its role of consumer and debtor, not as employee. England’s domestic industry took one beating after another as factories closed their doors throughout the country (with the most successful becoming gentrified real estate developments).

The Iron Lady was convinced she was rebuilding England’s economy, while in reality it was only getting richer from London’s outlaw banks.

Throughout the world, the damage wrought by this financialized economy has been immense. By “liberating” national money from the constraints of taxing authorities, the Middle East stopped much of its projects for industrial development. After 1990 the Soviet bloc was deindustrialized to become an oil, gas and mining economy. And for Britain, trillions of dollars in global tax revenues that could have been used for industrial and social development were routed though London, where the UK has lived off the fees from this free-for-all. So despite Mrs. Thatcher’s admiration for Milton Friedman, famous for claiming that There Is No Such Thing As A Free Lunch, she made Britain’s economy all about obtaining a free lunch – eaten by the world’s financial managers who flocked to its shores.

How much did Lady Thatcher come to understand about a financial sector of which she never deliberately favored? She never expressed regret about how her policies paved the way for New Labour to take the next giant step in empowering the City of London’s financial complex that has un-policed the banks to catalyze one financial crash after the next, hollowing out Britain’s economy in the process.

When Mrs. Thatcher took power, 1 in 7 of the England’s children lived in poverty. By the end of her reforms that number had risen to 1 in 3. She polarized the country in a ‘divide & conquer’ strategy that foreshadowed that of Ronald Reagan and more recent American politicians such as Wisconsin Governor Scott Walker. The effect of her policy was to foreclose on the economic mobility into the middle class that ironically she believed her policies were promoting.

(...)

But finance always has lived in the short run, and nowhere in the world is banking more short-term than in Britain. Nobody better exemplified this narrow-minded perspective than Lady Thatcher. Her simplistic rhetoric helped inspire an inordinate share of simpletons conflating supposed common sense with wisdom.

Not altogether simple, perhaps, but simply opportunistic. As the uncredited patron saint of New Labour, Mrs. Thatcher became the intellectual force inspiring her successor and emulator Tony Blair to complete the transformation of British electoral politics to mobilize popular consent to permit the financial sector to privatize and carve up Britain’s public infrastructure into a set of monopolies. In so doing, the United Kingdom’s was transformed from a real economy of production to one that scavenged the world for rents through its offshore banks. In the end, not only was great damage inflicted on England, but on the entire world as capital fled developing countries for safe harbors in London’s banks. Meanwhile, governments throughout the world today are declaring “We’re broke,” as their oligarchs grow ever more rich.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:25

O poder da palavra

Sexta-feira, 29.03.13

 

A palavra. Tem em si mesma o poder de seduzir, programar, iludir, manipular, habituar, hipnotizar. Crescemos a ouvir histórias, definições, normas, regras, sugestões, ordens, classificações. O banho da educação é cultural e fomos nele mergulhados até submergir. É difícil resistir a essa influência, forma-nos para sempre.

Mesmo que a nossa capacidade de observação infantil nos mostre as incoerências e as incongruências de algumas destas convenções inquestionadas culturalmente, tudo à nossa volta contraria essa observação individual. Mas se queremos viver de forma adaptada e integrada, acabamos por ceder a essa pressão cultural. Acabamos a valorizar a opinião generalizada, convencional, a norma, em vez da nossa própria observação. A terrível dependência da aprovação social.

 

O poder da palavra, pois. Temos de voltar a esse breve período anterior à programação para nos resgatarmos (identidade) e à nossa capacidade de observação (realidade). Há várias formas de o conseguir: calar a vozinha que nos acompanha a toda a hora com tarefas que a contrariam, ficar em silêncio e identificar todos os sons nocturnos, caminhar entre árvores procurando fazer o mínimo ruído, etc. Um exercício interessante é ligar a televisão e observar as personagens sem som, sobretudo os políticos e os comentadores: observar as expressões faciais, os movimentos na cadeira, o nervososmo nas pálpebras a tremer, os gestos com as mãos, etc. Evitar as rotinas diárias, efectuá-las numa ordem diferente ou de forma pouco habitual. Sair do carril. Ver de outra perspectiva.

 

Vantagens de recuperar a capacidade de observação individual e confrontá-la com a geral, a norma: agir de forma inteligente, alerta e consequente, em vez de ser suepreendido pelos acontecimentos. Antecipar-se aos acontecimentos. Em vez de continuar a reagir a estímulos externos, agir em função da informação filtrada e processada por si próprio. Conectar-se com as pessoas e as comunidades que o podem esclarecer sobre algum assunto. Pedir ajuda às pessoas e às comunidades certas. Obter melhores resultados. Preparar o futuro.

 

A palavra, as histórias, as versões dos acontecimentos, só distraem do essencial. Por trás da palavra está o manipulador, quem sabe o que quer e como o pode conseguir: o poder. Quem a utiliza sem critério é isso que pretende: vender uma ideia, entreter, distrair, iludir, ou mesmo enganar claramente.

 

E não é só a política e os interesses que serve. É a ciência quando se tenta susbstituir à religião ou servir interesses políticos e outros, servidos pela política. É a religião também, seja qual for, sempre que se serve da palavra como instrumento do poder. E a comunicação social, que serve a política e os interessas que a política serve, e a ciência como nova religião e a religião quando se transforma em política.

Exemplo: tem-se colocado a questão em termos de se acreditar em Deus ou não acreditar, em se ser crente ou ateu. Quem se baseia na sua própria capacidade de observação percebe desde logo que esta é uma falsa questão, e uma forma muito rudimentar de a colocar. Não há separações entre crentes e ateus. O que os separa é a palavra, as histórias, as diferentes versões dos acontecimentos. Todos estamos ligados a todos e a tudo de uma forma que não sabemos descrever. Só a sede de poder sobre outros pode entrar na fórmula que separa pessoas, comunidades, perspectivas.

 

Cristo Operário é um pequeno monumento construído nos anos 60, num local praticamente abandonado do interior da Beira Baixa. Na perspectiva mais benigna, esta representação de Cristo como um operário entre operários, foi construído numa intenção de valorizar um trabalho simples e de dignificar uma classe social, uma parte da comunidade. Podia ter ficado esquecido no tempo, podia estar agora em ruínas, mas foi reabilitado culturalmente pela comunidade que ficou por ali. Quando penso em Cristo é aquele monumento que vejo, entre cedros e pinheiros. O que fica não é a palavra, mas a acção, o gesto, a decisão, a responsabilidade.

 

No filme Phenomenon, são as árvores ao vento que sossegam o nosso herói perturbado, com a mente sobrecarregada de perguntas por responder, de curiosidade por todos os mistérios, de novas ideias:

 

 

Que esta Páscoa nos venha recuperar a capacidade de observação original, anterior à palavra, e a percepção de uma realidade que não precisa de se afirmar para se conhecer e sentir, a clara sensação de estarmos ligados a todos e a tudo.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:56

Balanço do ano que passou e anúncio do ano que se inicia

Sexta-feira, 28.12.12

 

O fim de mais um ano é sempre uma época para fazer balanços: o que fizemos e o que ficou por fazer, o que poderíamos ter feito melhor, o que aprendemos com as experiências que vivemos e com as interacções humanas. 

É também a oportunidade para rever o filme do ano: as partes boas e as partes más, e ter a coragem de não saltar as más, de não as apagar da memória. Muito do que aprendemos surge com experiências que podemos considerar, numa primeira análise, como uma experiência para esquecer. Aconselho vivamente, pelo contrário,  a mantê-la na memória até aprender com a experiência.

 

Este ano trouxe-me de tudo um pouco: desafio aos neurónios, a sua melhor parte aliás, mas também carinho partilhado, amizades, risos, sonhos.

E aprendi imensa coisa: que as aparências iludem completamente, que as lideranças em cargos de topo em instituições, países, organizações europeias e internacionais, não estão à altura da sua enorme responsabilidade.

Também aprendi que ninguém nos diz a verdade sobre o que nos espera no ano que vem nem nos anos mais próximos, e que nos estão a arrastar para um cenário de baixos salários, exclusão da vida activa, emigração, ausência de qualidade de vida e baixas expectativas para uma maioria da população.

Aprendi ainda que os gestores políticos não têm de prestar contas pela alteração do seu programa, pela alteração das regras do jogo, pela ficção e pela propaganda com que iludem os cidadãos. Também os gestores financeiros nada têm a propor para melhorar o cenário, porque de nada podem ser responsabilizados. Só têm de esperar que, custe o que custar, os cidadãos aguentem a crise.

Digamos que foi um ano muito instrutivo.

 

Ainda dizem que o mundo não acabou... O mundo, tal como o conhecemos, a maioria de nós, acabou mesmo.

O mundo agora é dos que vivem noutra dimensão, onde não há consciência nem responsabilidade, onde não há qualquer contacto incómodo com a realidade, a pobreza, a fome, que chatice, isso é para pensar duas ou três vezes por ano, a generosidade dos portugueses...

O mundo agora é dos que decidem pelos demais, pela população de um país, de países, de um continente, qual o seu salário, qual o seu nível de vida, quais as expectativas a que têm direito, e por aí adiante.

O mundo que agora se impõe é o da cultura corporativa baseada no poder financeiro que domina o poder político, e a que têm de se subordinar a economia e a vida concreta dos cidadãos. E ainda nos falam de democracia cá e na Europa. Esse mundo ficou no papel, porque já nada se assemelha a uma democracia nem à tal comunidade coesa e solidária que se quis construir.

 

Para desejar a todos o início de um novo ano com a vitalidade e a coragem necessárias para enfrentar estes desafios, aqui vai uma perspectiva criativa da empatia, a base das interacções humanas equilibradas e saudáveis:

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:13

A acção inteligente e consequente no caminho da autonomia

Quarta-feira, 19.10.11

 

Todos procuramos fórmulas que funcionem, nas nossas vidas e à nossa volta. Uns, em busca do sucesso e da aprovação social, outros, para simplesmente sobreviver num mundo competitivo, outros ainda, os mais ambiciosos a meu ver, para realizar os seus sonhos e serem felizes.

Provavelmente, a maioria experimenta as várias fases deste caminho, há o tempo da simples sobrevivência, há o tempo do relativo sucesso profissional, há o tempo da materialização de um sonho antigo. 

Mas o verdadeiro sabor da autonomia, decidirmos pelas nossas vidas, sentirmo-nos perfeitamente alertas e despertos, conscientes do chão que pisamos, da sua consistência, dos seus obstáculos e perigos ou das suas oportunidades, esse sabor ainda não o experimentámos, a não ser em curtos períodos.

 

O caminho da autonomia não nos é apresentado na infância nem na adolescência, precisamente as épocas mais interessantes e promissoras do nosso desenvolvimento, em termos de inteligência e curiosidade. Nessas épocas promove-se precisamente a obediência e o conformismo, enquadrar numa forma de ver a realidade e de viver em comunidade. Com um pouco de sorte encontramos adultos que nos desafiam a pensar pela nossa própria cabeça, a descobrir as coisas, a não nos contentarmos com o que nos apresentam como real. E com mais sorte ainda, cruzamo-nos nas nossas vidinhas domesticadas com adultos divertidos, bem-humorados, gratos pela sua vida, por mais simples que nos pareça. Geralmente são pessoas de idade avançada e tempo para aturar uma criança ou um adolescente.

 

Confundir a actual liberdade de movimentos de uma criança ou de um adolescente com autonomia é um erro. O que se passa hoje é bem diferente: estão entregues a si próprios. Falta ali um elo humano de ligação à realidade, mesmo que inadequado ou baseado na tradição, mas ainda assim melhor do que a actual ausência e tantas vezes negligência. As pessoas que antes exerciam um qualquer papel formativo ou de formatação, são agora substituídas por pequenos acessórios: telemóveis, blackberries, ipods, consolas, etc. De criaturas formatadas por adultos passamos a criaturas dependentes virtuais. Antes os adolescentes treinavam a autonomia a pouco e pouco até sair de casa. Hoje saem, divertem-se e voltam para comer e dormir. 

 

Não preparámos uma geração de autónomos mas de autómatos. O que vemos hoje são pessoas paralisadas pelo medo do futuro, incapazes de agir de forma adequada a cada situação que se apresenta. A própria sociedade organizou-se a promover o conformismo geral: nós decidimos por si. Foi o que se viu. Os resultados estão à vista. Geriram mal o país, de forma negligente e danosa. E as pessoas deixaram-se conduzir e embalar, até porque iam recebendo ao longo da jornada aquelas promoções de marketing de massas, goze agora pague depois. 

Agora, acabada a festa, fica a ressaca, uma enorme dor de cabeça e um olhar atónito e incrédulo, de quem não previu nada disto. Agora a conversa oficial é outra evidentemente, até porque as elites pertencem à prata da casa, de uma sociedade que nunca se organizou para a responsabilidade: é tempo de sacrifícios. Sacrifícios, sacrifícios... esta palavra é martelada nas televisões, para que as pessoas se habituem a ela. Mas sacrifícios de quem? Até na escolha da palavra há um cinismo (ou uma imaturidade?) implícito: claro que os sacrifícios não são para todos os mortais.

A palavra sacrificios faz parte de uma narrativa muito bem montada, numa espécie de guião de filme de série inclassificável: 

 

(Vou fazer aqui um breve intervalo e já volto a tentar desenvolver a ideia que me surgiu esta manhã...)

 

Ainda alinhavei aqui uma linha de raciocínio, mas os resultados não me agradaram muito. Digamos que passar a vida a desmontar narrativas oficiais e estratégias de marketing político já não é muito motivador. Vamos então por outra linha: analisar, por exemplo, a escolha de uma das palavras-chave escolhidas por este governo, sacrifícios, e outra, medidas, e ainda outra, buraco ou desvio orçamental, e depois passar para a ideia que me interessa, da acção inteligente e consequente no caminho da autonomia. O que implica analisar o papel das lideranças que nos gerem e o que poderia ser.

 

As palavras-chave escolhidas pelo marketing político do actual governo revelam uma narrativa que se baseia numa espécie de correcção de desvios (ou desvarios) do governo anterior: 

- sacrifícios: palavra forte, com carga ética e religiosa, como um dever, uma obrigação, uma inevitabilidade. A sua escolha não foi inocente, mas ao ter banalizado a sua utilização, e ao não ter assegurado a sua universalidade (todos deveriam contribuir), perdeu credibilidade. Além disso, só se mobilizam cidadãos para contribuir na expectativa de obter resultados, num determinado período de tempo, de modo a libertar a economia dos actuais constrangimentos. 

- medidas: apresentadas a conta-gotas, de forma avulsa, sem coerência nem perspectivas práticas, nem uma avaliação séria das consequências. Com a agravante de não se aplicarem a todos de uma forma sensata e equilibrada. O facto da sua apresentação depender sempre da descoberta de mais um buraco ou desvio orçamental também levou à confusão geral e ao desânimo.

- buraco ou desvio orçamental:  já todos sabiam o que os esperava antes de acederem à gestão política, um país endividado e condicionado pelos credores. 

 

Como lidar com a situação crítica do país? Mobilizando os cidadãos. Este é o único caminho viável para um desafio desta dimensão. 

Como mobilizar os cidadãos? Com a aplicação de cortes na despesa estatal e de algumas receitas selectivas (as tais medidas) coerentes, consequentes, equilibradas, viáveis, baseadas numa comunicação exacta dos passos a dar e dos resultados que se podem esperar. Isto implica a universalidade das contribuições (os tais sacrifícios), e de forma proporcionada e equilibrada. Repito: a informação sobre a aplicação de cortes na despesa e da justificação das receitas (impostos) deve ser exacta, correcta, simples, para todos perceberem a sua necessidade.

 

Neste momento, vemos duas camadas sociais a distanciar-se cada vez mais: os decisores e as vítimas das suas decisões. Qualquer semelhança entre esta organização social baseada na cultura corporativa e os princípios básicos de uma democracia saudável, é pura coincidência. E isto também se passa a nível da UE.

 

A acção inteligente e consequente no caminho da autonomia é a fórmula mais adequada para a nossa situação actual. Aliás, aplica-se a todas as dimensões da nossa vida: familiar, social, profissional, cidadania. Baseia-se num princípio muito simples: o respeito por si próprio e pelos outros. Esta é a essência, a meu ver, de uma democracia saudável. Viver e deixar viver. Perspectivar a economia de uma forma abrangente, em que todos colaboram, activos e inactivos. Perspectivar a participação social e cívica de todos na restruturação das áreas-chave para reforçar a autonomia do país. Perspectivar as redes de apoio social, a nível local, aos mais vulneráveis, crianças e reformados.

 

Um desafio desta dimensão exige lideranças com uma cultura de séc. XXI e com alguma autonomia relativamente aos grupos de influência. Sem lideranças à altura deste desafio não vamos a lado nenhum. 

 

Como nos podemos nós distanciar emocionalmente deste pedalar em seco a escorregar para trás em plano inclinado? Impossível. Mesmo que não liguemos a televisão em hora de notícias, há sempre alguém que nos conta as últimas, com olhar atónito e voz aflita, porque não vê fim à vista. São uns a tapar os buracos e outros a abri-los noutro sítio. Esta situação não se pode manter muito mais tempo.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:49

"Este é o momento"

Terça-feira, 24.05.11

 

Nota prévia de esclarecimento: entretanto, passados 2 anos, actualizei a minha perspectiva sobre este momento e a cultura de base do CDS:

 

 

Este é o momento é o mote certo para a fase colectiva que vivemos, entalados entre dois precipícios, como nos desenhos animados. Não podemos voltar atrás, seria o suicídio, e o caminho para a frente é tão estreitinho e traiçoeiro que não nos podemos enganar na colocação dos pés. Qualquer pedregulho solto pode fazer-nos resvalar encosta abaixo... E há tantos pedregulhos soltos... 

 

" Portugal está numa situação excepcional. Uma política irresponsável levou a dívida pública de 82 mil ME para 170 mil ME apenas em seis anos. Os contribuintes já pagaram mais pela dívida do Estado do que investem com os seus impostos, na Educação. A irresponsabilidade prosseguiu nas empresas públicas (cuja dívida duplicou) e nas Parcerias Público-Privadas cujo o custo já ascende a 60 mil ME e compromete o futuro. Este Governo socialista levou Portugal à segunda recessão em dois anos. A herança económica e financeira de José Sócrates é muito negativa.

Mais de 650 mil famílias são afectadas pelo desemprego, enquanto inúmeras PME têm dificuldade em contratar. Em cada 100 jovens, 25 não têm trabalho. Muitos emigraram. Os trabalhadores independentes e os jovens empreendedores são atacados fiscalmente. A pobreza aumentou, a classe média empobreceu. Até o abono de família foi cortado. As instituições sociais recebem todos os dias mais pedidos de ajuda, de quem não consegue pagar refeições, ou os tratamentos de saúde, ou está numa situação vulnerável. O legado social de José Sócrates é de uma enorme injustiça.

Depois de um ano em que o PS, com o apoio do PSD, foi de PEC em PEC até ao colapso final – aumentando impostos, congelando pensões, penalizando as famílias, pondo em risco os serviços de saúde - tornou-se inevitável que Portugal pedisse ajuda externa, para poder sobreviver. O CDS teve uma atitude de responsabilidade, colocando o interesse nacional acima de tudo. Sem essa ajuda Portugal passaria pela vergonha de declarar falência. As poupanças, os salários, as reformas, os depósitos e os empréstimos dos portugueses corriam risco de ruína. Nesta situação, outros decidiram não falar com quem nos podia emprestar dinheiro para sobreviver. O CDS foi responsável: falou e defendeu, por exemplo, as pensões mínimas, rurais e sociais que poderão ser aumentadas. Deixámos claro que, na revisão do programa de austeridade, lutaremos por melhores soluções. Por exemplo, quanto a um IRS que leve em conta o número de filhos; um IRC que ajude as empresas que exportam, contratam e reinvestem; a taxa social única; e repensar medidas no IMI e IMT que são incoerentes. Há alternativas. "

A natureza que de certo modo condicionou a nossa cultura e nos tornou vulneráveis à cultura corporativa vigente inclina-nos perigosamente para um dos lados do precipício: é o fascínio por tudo o que brilha, por tudo o que nos é apresentado como fabuloso, fantástico, a terra prometida, todas as possibilidades e mais algumas de realizar todos os seus sonhos, tipo o vendedor do elixir da juventude que vemos nos filmes. É incrível como adultos responsáveis, com família, filhos, netos, se deixam ainda levar pela publicidade enganosa em vez de colocar os pés bem assentes no chão: no trabalho digno e sério, o maior valor que alguém pode ter nesta vida terrena, desenvolver e aperfeiçoar as suas competências, ser valorizado por isso e por isso poder realizar alguns dos seus sonhos legítimos e acessíveis. É também esse o caminho da autonomia, outro valor essencial da dignidade humana, não depender da bondade de estranhos nem sentir-se um inútil, dependente de subsídios numa vida decadente. A energia vital baseia-se na acção e na iniciativa própria, em tomar a sua vida nas suas próprias mãos, em decidir o que é importante para si e para a sua família. Toda a natureza apela à autonomia pessoal, isso é estar vivo. Alguma coisa de muito errado levou os cidadãos a deixar-se condicionar por uma cultura que promove a dependência, o conformismo e a servidão, tudo o que nega a própria vida e a dignidade de cada um. Este é o momento de corrigir essa perigosa inclinação e caminhar de novo em terra firme, com os pés bem assentes no chão.

 

" Os Portugueses conhecem a coerência, o trabalho e a equipa do CDS. Temos os deputados mais trabalhadores do Parlamento. Avisámos a tempo para o descalabro. Não dependemos do Estado, como PS e PSD dependem. Lutamos pelo bem comum e não defendemos os caciques, como PS e PSD defendem. Queremos grupos económicos mas não aceitamos, como PS e PSD aceitam, a protecção de certas empresas por uma Autoridade de Concorrência incompetente. Nunca abandonámos, como PS e PSD abandonaram, a questão social: os idosos e a sua pobreza são a nossa prioridade, as famílias no desemprego a nossa preocupação. Somos o Partido em quem confiam os agricultores: queremos Portugal a produzir, exportar e substituir importações. Somos o Partido que defendeu políticas de bom senso: quem comete crimes tem de pagar por eles e as Forças de Segurança têm de ser eficientes e ter autoridade: contam connosco. Protegemos a autoridade do professor na escola e a exigência e o mérito como regra para preparar os estudantes para o mundo laboral. Temos soluções para o desemprego dos jovens, o arrendamento de casa pelos jovens, a liberdade de programar as suas poupanças para os jovens que entram no mercado do trabalho. Sabemos que é possível um sistema de saúde com menos desperdício e mais humanidade. "

Esta é a minha escolha eleitoral, como já a delineei aqui há uns tempos. Voto CDS-PP. Nunca me inscrevi em partido algum, até hoje. Sempre procurei decidir de forma autónoma, em todas as minhas escolhas. Muitas vezes me enganei, mas a razão foi invariavelmente não ter acesso à informação que conta. Hoje só me baseio em factos concretos, em resultados concretos. A posição do independente, como sempre me quis posicionar na vida e na política, pode parecer confortável e comodista, e de certo modo é: não ter de viver o conflito com o grupo, dizer o que se pensa de algumas decisões com que não concordamos, não ter de debater, argumentar, sofrer decepções várias que as há sempre. Embora também não se possa viver a alegria do dever cumprido e a alegria partilhada no grupo que é alegria redobrada. Nem saborear as vantagens de um estatuto para quem gosta da vida política. No meu caso, a motivação seria a possibilidade de contribuir com ideias para acções concretas. Sim, se vier a tomar essa inciativa inédita no meu percurso será essa a motivação. É que este é o momento de não nos fecharmos no nosso cantinho sossegado e tranquilo e participar na vida colectiva, na reconstrução de uma casa em ruínas, na recuperação do jardim abandonado, na regeneração da vida comum, na restauração da nossa cultura própria, dos valores que nos estruturaram até hoje: o trabalho individual e comunitário, o respeito por si próprio e o respeito mútuo, a amabilidade e a universalidade. 

 

" Nesta situação excepcional, pedimos aos Portugueses que façam um voto excepcional. Não liguem aos emblemas nem às siglas. Avaliem o trabalho, o esforço, a coerência, a visão, as soluções, as equipas e os líderes. Comparem. Portugal não mudará se não castigarem quem merece castigo – o PS – ou se premiarem quem não merece um prémio – o PSD.

Há muitos eleitores desiludidos com o PS e receosos com o PSD. Esses eleitores sabem que o CDS, nesta eleição excepcional, é a diferença, é a responsabilidade, é o melhor para o interesse nacional. Não vos peço que adiram a tudo o que o CDS pensa, nem o CDS vos imporá isso. Peço-vos que ajudem Portugal a pagar o que deve, sanear as finanças, colocar a economia a crescer, evitar a exclusão social e, finalmente, pôr ordem na justiça que chegou a um descalabro! Escolham o CDS. Nós cumpriremos. 

Este é o momento. Por ti. Por todos. Portugal. "

Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015: Tantos posts para clarificar... Como é possível que eu tenha confiado no CDS durante tanto tempo?, que não tenha percebido a sua cultura de base que não é nem democrata nem cristã?

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:36

"Liderança para Portugal"

Sábado, 19.03.11

 

Nota prévia de esclarecimento: entretanto, passados 2 anos, actualizei a minha perspectiva sobre o CDS e a sua cultura de base:

 

 

O mote está dado, no Congresso do CDS em Viseu: "Liderança para Portugal". Paulo Portas afirma-se hoje como uma liderança baseada na coerência e na consistência. Conseguiu construir um "novo CDS", uma equipa dinâmica, sólida e competente. Sem esquecer os valores que o estruturam: o valor do trabalho, do mérito, do bem comum, da protecção dos mais frágeis, da família, da coesão social. Promovendo uma organização social que valorize a educação de qualidade, a mobilidade social, o equilíbrio fiscal, o crescimento económico, a concorrência leal dos mercados, a supervisão bancária, a justiça, a segurança. 

O CDS hoje pode apresentar-se aos eleitores como o partido que mais produziu no Parlamento, assim como o que mais viu propostas suas aceites. É também o partido que mais defendeu a agricultura e as pescas (sectores estruturantes), os pensionistas, as famílias, as pequenas e médias empresas. Foi também o que mais batalhou pela supervisão bancária, pela concorrência leal dos mercados, pela área da saúde, educação, justiça e segurança. 

Paulo Portas foi o primeiro político (e, pelos vistos, o único até hoje) a referir-se a uma "geração pós-partidária", que procura informação fidedigna, que pensa pela sua própria cabeça, que quer ter a possibilidade de escolha, que quer respostas concretas. 

Hoje ouvimo-lo num discurso inspirado e mobilizador, que tem ressonância porque se baseia num trabalho concreto, num caminho concreto, numa equipa que demonstrou o que vale. 

Hoje percebemos que há uma alternativa viável aos partidos do bloco central do sistema que se vão alternando no poder. Hoje percebemos que é necessário, urgente, sair desse carrocel e quanto antes. 

Sim, uma "liderança para Portugal". É exactamente isso que o país precisa. Uma liderança assente num compromisso e numa confiança mútua, numa nova postura política. Em que os cidadãos saibam o que os espera e o que se espera de cada um, cada um no seu lugar e no seu papel. Uma nova cultura de lealdade e responsabilidade.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:32

A mudança não virá do sistema nem da rua... mas das consciências

Segunda-feira, 28.02.11

 

Esta reflexão sobre a mudança inevitável vem na sequência da anterior: o sistema está a reorganizar-se. E baseia-se igualmente em deduções. 

Como é óbvio, a mudança não virá do próprio sistema, até porque o sistema se está a preparar para neutralizar todo e qualquer movimento que possa perturbar o seu equilíbrio e estabilidade. Como? Há muitas formas.

Se ontem ouviram o Professor Marcelo a comentar a possível manifestação de jovens descontentes a 12 de Março, podem já perceber uma das formas, perfeitamente enquadrada na lógica corporativa do sistema: Quem são eles? São essencialmente jovens... licenciados... desempregados... ou em estágio... um é ex-JS outra ex-BE... Descontentes... querem fazer parte da solução... Como é? Querem formar um partido?, um movimento?, uma associação?

Esta é a lógica corporativa: identificar os descontentes, perceber o que querem, para os tentar absorver no sistema, se possível, e assim neutralizar. Senão vejamos: Lembram-se quando surgiu o PRD com 18%, era muita gente descontente, mas logo a seguir Cavaco Silva conseguiu absorver esses descontentes para o PSD... não sei se repararam mas o Professor Marcelo imitou o ruído de quem suga por uma palhinha... os votos dessa gente toda. Referiu-se a mais alguém que sugou os votos de mais gente descontente, mas já não me lembro.

 

Sim, é até muito possível que o sistema consiga sugar, absorver e neutralizar o descontentamento dos jovens, até porque os próprios foram formatados na cultura corporativa. O discurso da mudança não pode ser corporativo: uma geração, direita, esquerda, uma profissão, uma camada social, etc. etc. O discurso da mudança é universal, abrange todos os cidadãos. 

 

Também tenho meditado muito nisto: estes movimentos de rua, já em desespero, onde podem levar? Estou convicta que as verdadeiras revoluções são interiores e discretas. Qualquer mudança consistente e consequente tem de se basear numa nova perspectiva e numa nova atitude de cada cidadão. Sim, a verdadeira mudança é interior, na consciência de cada um.

 

E no entanto... o primeiro sinal da mudança possível veio de um encontro feliz entre o Papa e o povo português. Poucos viram essa confirmação cristã de uma cultura milenar. Poucos valorizaram a profundidade do encontro. Mas nada ficou na mesma: o Papa reencontrou a sua energia vital, e a sua liderança na comunidade cristã ganhou um novo fôlego; nós reencontrámo-nos com a nossa raíz cultural cristã, de valores sólidos e duradouros.

 

Muitos foram os anos de domínio e de fracturas e machadadas culturais, muitos foram os anos de descaracterização e desertificação territorial que ainda continua, muitos foram os anos de artificialismos e pedagogias do ódio, muitos foram os anos de desprezo por tudo o que é verdadeiro e genuíno na nossa cultura cristã, mas esse encontro veio confirmar que a chama original está viva.

 

Somos essencialmente cristãos nos valores e na atitude. Somos comunitários. Somos afectivos e generosos. E se nos tornámos desconfiados do poder, tivemos boas razões para isso: falam outra linguagem, outra cultura, que nos tentaram impor por mais de dois séculos, uma cultura materialista, fria, impessoal, baseada em leis e em contorcionismos artificiais para proteger os seus membros. Trata-se de uma organização que se colocou indevidamente e ilegitimamente no patamar do poder político, social, económico e cultural.

 

A partir do momento em que nos reencontramos com a nossa verdadeira natureza, adquirimos uma nova energia vital, deixamos de nos sentir isolados e vulneráveis, sabemos quem realmente somos, essa é a nossa força. A da consciência. A dos valores. E essa é a mudança possível, a restauração da nossa cultura essencial, das nossas raízes cristãs, da nossa cultura comunitária da amabilidade e da universalidade.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:52

Deduções por falta de acesso à informação fidedigna: o sistema está a reorganizar-se

Sábado, 26.02.11

 

Gostaria de clarificar em primeiro lugar os Viajantes que por aqui passam que me tenho de basear em deduções, uma vez que não tenho acesso a qualquer informação fidedigna. E tem sido mais ou menos assim desde que iniciei esta viagem pela blogosfera. 

De referir - e isto é muito importante, pelo menos para mim -, que se não fosse a internet em geral e a blogosfera em particular, não teria sequer conseguido efectuar estas simples deduções. É certo que poderia tropeçar num ou outro livro, mas o processo teria sido mais lento.

É que a simples observação do que se passa a nível político, económico, social e cultural, não nos teria fornecido toda a matéria de análise. É necessária a troca de ideias, experiências diversas, percursos diferentes. E não é na informação oficial que vamos encontrar qualquer informação sobre a realidade, aí apenas encontramos a ficção muito bem preparada para o consumo de massas.

 

Esclarecido este ponto, hoje voltamos ao centro da questão essencial: o sistema. A organização política, económica, social e cultural, que domina a situação, e há mais de 200 anos. Um dia destes irei ensaiar uma dedução histórico-cultural à procura da origem do actual sistema dominante. Mas hoje o que me interessa essencialmente é propor uma perspectiva, talvez ousada, mas ainda assim baseada em deduções lógicas e plausíveis: o sistema está a reorganizar-se.

Reorganizar-se: "mudar para ficar tudo na mesma", já conhecem a expressão, não é? Reorganizar-se: juntar as hostes, de todos os quadrantes do sistema, unir esforços e criatividades, para criar novas fórmulas a apresentar ao cidadão comum, aquele que o sustenta, para o convencer a continuar a sustentá-lo. Reorganizar-se: manter-se no poder a todo o custo, manter os seus privilégios de elite privilegiada, elite que se auto-nomeou e assim manteve no patamar certo, que se catapultou há muito tempo e não quer perder as mordomias.

 

É certo que o sistema já controlou as áreas-chave do poder político, económico, social e cultural. Senão vejamos: 

- Justiça: já está;

- Ministério Público: já está;

- Serviços Secretos: já está;

- Informação (jornais, televisões): acabou recentemente de neutralizar todos os canais, da RTP à TVI;

- Educação: actualmente a formatação das novas gerações está garantida;

- Banco de Portugal, Autoridade da Concorrência, etc. etc. : está, está, está.

 

Então o que é que falta? Pois aí é que está. Baseando-se desde 74 numa suposta democracia, depende do voto dos eleitores nos partidos sentados numa Assembleia da República. Olha que chatice! Ainda não há uma forma de evitar esta participação do cidadão comum no equilíbrio e estabilidade da sua vidinha confortável. 

Como é que o sistema vai dar a volta a isto? Fácil. Vai apresentar ao eleitor fórmulas aparentemente renovadas e fresquinhas (isto é, inocentes e puras), assim tipo um PSD próximo do cidadão e distanciado do PS, ou mesmo tornar-se um pouco mais audaz e lançar-se numa proposta de alteração da Constituição Portuguesa para introduzir a fórmula "semi-presidencialismo", porque não?, ou ainda mesmo mais audaz, se os tempos o apontarem, mudar de regime e voltar a uma "Monarquia Constitucional", a garantia de mais estabilidade (só espero que a Família Real tenha o discernimento de não alinhar no sistema. É que o falhanço da Monarquia Constitucional deveu-se afinal ao sistema. Mas isso fica para analisar de uma próxima vez).

 

Estamos ainda no plano das deduções, certo? Bem, vemos o sistema a reorganizar-se por se sentir ameaçado. Porquê? Porque já se tornou visível, e o pior que pode acontecer a um sistema ilegítimo é ficar visível. Hoje já é evidente para o cidadão comum que, enquanto sofre as dificuldades todas de uma "so called" crise internacional, há uma elite política, económica, social e cultural que vive confortavelmente à sua custa, de forma ilegítima. E que a "so called" democracia que lhe prometeram se revelou uma farsa. Sim, o cidadão comum sente-se enganado, ludibriado. É só ouvir as Antenas Abertas.  

Se o cidadão comum tem razão para agora se vir lamentar? Em parte sim, em parte não. Sim, porque foi de facto enganado e ludibriado. Não, porque quis ser ludibriado e enganado. Quis acreditar na ficção, mesmo que matematicamente impossível. Única atenuante: a informação oficial alimentou a ficção nos jornais e nas televisões.

 

Veremos, pois, nos próximos tempos, o PSD a apresentar-se ao eleitor, limpinho de responsabilidades políticas nos PECs e nos OEs mais recentes. Com um líder relativamente jovem e apresentável, tipo Ken engravatado, discurso vazio, generalista e pouco elaborado, mas o que importa é a imagem e a voz bem projectada, afinal foi a solução de marketing do PS quando lançaram o actual PM.  

Este PSD será a grande aposta do sistema por agora. As sondagens já o anunciam. O Presidente (do sistema) também está prestes a ser renomeado oficialmente. Está tudo preparado para que nada corra mal. Garantir o sistema no poder, a todo o custo. 

E o que pode correr mal? O cidadão comum não se deixar embalar pelas propostas do sistema. O cidadão comum acordar para a sua realidade e não querer continuar a sustentar esta organização parasita e ilegítima. Já há sinais concretos de que esse despertar para a realidade já se iniciou. 

Até ver, só o CDS percebeu esses sinais, mas o CDS não tem dificuldades de comunicação com o cidadão comum, desde sempre interpretou as suas necessidades e prioridades.

 

E aqui está uma interessante análise possível: Como distinguir hoje quem fala pelo sistema e quem fala pelo cidadão comum, pelo país real?

Só uma sugestão de um teste que penso será fiável: Quem segue os valores cristãos na sua vida, de forma coerente e consistente, não pode servir e/ou aderir a um sistema ilegítimo e injusto.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:16

Há 7 anos que o país vive em crise política

Sábado, 12.02.11

 

Na verdade, o país vive em crise política há 7 anos. De certo modo, podemos dizer que já não sabe o que é viver na normalidade. Normalidade seria ter à frente da gestão política responsáveis adultos, digamos assim, com sentido de responsabilidade.

Portugal viciou-se em crise política, adaptou-se, conformou-se. Só assim se explica insistir em apostar na mesma receita tóxica. E de tal modo se adaptou e conformou que nem estranha os tiques doentios dos actuais gestores políticos. Nem sequer tem energia para desenvolver uma saudável alergia. Não, desiste, baixa os braços, volta as costas.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:04








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